Esse começo de ano tem me inspirado a escrever.
Não que eu entre no clima do "tudo vai ser diferente" que nos empurram com champanhe goela abaixo.
Pelo contrário, acho o começo de ano um tanto quanto hilário.
Às promessas sem fim que fazemos a nós mesmos se contrapõe a preguiça natural da ressaca pós reveillon, turbinada pelo calorzão de verão.
Uma contradição, portanto.
É que faz parte do necessário ritual de renovação um certo balanço geral de como anda a vida, e as auto-cobranças são inevitáveis.
Como se todas as promissórias das nossas vidas tivessem vencido em 31 de dezembro e agora os juros estivessem correndo solto a galope.
Mas se você não é pragmático a ponto de colocar deadline pra tudo num caderninho, os prazos dos seus sonhos devem ser como os meus, indefinidos.
O que dá no mesmo que dizer, "se der, eu faço esse ano".
No fundo sabemos que não passa de auto-engano.
No fundo também sabemos que são sonhos, e não projetos.
No terreno dos sonhos tudo é possível e, o mais importante, tudo aconterá num passo de mágica.
A verdade é que tudo dá muito trabalho e bancar a realização é para poucos.
São os empreendedores de si mesmos.
Os que sabem o que querem e não medem esforços pra colocar um tijolinho por dia no castelo de seu sonho.
Pra empreender esse esforço é preciso confiança, vocação, garra, trabalho, decisão e principalmente, capacidade para se frustrar.
E esse conjunto de qualidades não é fácil reunir numa pessoa ou time.
Suponho que não existe prazo para entregar um sonho.
Os sonhos nos são entregues quando eles ficam prontos e eles não avisam os envolvidos.
Você acorda e vê o resultado.
Pode ser a qualquer dia e hora da sua vida.
Tomara que até lá você esteja vivo.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Liberdade vigiada?
Começo de ano é um bom momento pra falar de liberdade.
Ainda estamos sob o efeito do recesso das festas, que para alguns deve ter sido mais reabilitador do que para mim, que não saltei ondinhas - embora não possa reclamar da boa estadia em um hotel tipo fazenda.
Mas voltando à liberdade, acabo de ver um video do Baumann onde ele fala da grande meta humana que jamais foi alcançada, a de combinar liberdade com segurança.
Pois, segundo Baumann, se há liberdade, não há segurança. E vice-versa.
O video me foi enviado pelo colega Rodrigo, que durante o café pós almoço falava da liberdade dentro do relacionamento amoroso, que se torna uma assunto recorrente em conversa sobre casais.
Liberdade dentro de um relacionamento é algo difícil, quase utópico.
Mas e no restante da vida, existe a tal liberdade?
Em outra frase, "O preço da liberdade é a eterna vigilância", que até poderia ser ilustrada com a foto deste post, o autor sugere que liberdade é possível com vigilância. E vigilância 24 horas por dia.
Ora, se temos que nos vigiar e aos outros, ao mundo ao nosso redor, que raio de liberdade é essa?
Mais fácil é aceitar a premissa de que liberdade e segurança são mutuamente exclusivos até prova em contrário.
Começo de ano carrega a carga emocional perfeita para devaneios como este, sobre assuntos como liberdade.
Há uma expectativa, e toda expectativa é exagerada, sobre nossas aspirações para os próximos meses, e para um coroa como eu, é doce sonhar com uma independência, ao menos financeira, do malfadado "sistema".
Então, se não posso prometer a mim mesmo grandes realizações, ao menos prometo-me os melhores sonhos.
Que as 365 noites sejam embaladas pelos mais ternos sonhos de liberdade.
Amém.
Ainda estamos sob o efeito do recesso das festas, que para alguns deve ter sido mais reabilitador do que para mim, que não saltei ondinhas - embora não possa reclamar da boa estadia em um hotel tipo fazenda.
Mas voltando à liberdade, acabo de ver um video do Baumann onde ele fala da grande meta humana que jamais foi alcançada, a de combinar liberdade com segurança.
Pois, segundo Baumann, se há liberdade, não há segurança. E vice-versa.
O video me foi enviado pelo colega Rodrigo, que durante o café pós almoço falava da liberdade dentro do relacionamento amoroso, que se torna uma assunto recorrente em conversa sobre casais.
Liberdade dentro de um relacionamento é algo difícil, quase utópico.
Mas e no restante da vida, existe a tal liberdade?
Em outra frase, "O preço da liberdade é a eterna vigilância", que até poderia ser ilustrada com a foto deste post, o autor sugere que liberdade é possível com vigilância. E vigilância 24 horas por dia.
Ora, se temos que nos vigiar e aos outros, ao mundo ao nosso redor, que raio de liberdade é essa?
Mais fácil é aceitar a premissa de que liberdade e segurança são mutuamente exclusivos até prova em contrário.
Começo de ano carrega a carga emocional perfeita para devaneios como este, sobre assuntos como liberdade.
Há uma expectativa, e toda expectativa é exagerada, sobre nossas aspirações para os próximos meses, e para um coroa como eu, é doce sonhar com uma independência, ao menos financeira, do malfadado "sistema".
Então, se não posso prometer a mim mesmo grandes realizações, ao menos prometo-me os melhores sonhos.
Que as 365 noites sejam embaladas pelos mais ternos sonhos de liberdade.
Amém.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Segura o rojão
Dizem que 2016 será terrivel, economia em frangalhos e com pouca capacidade de reação por causa da inflação, crise política e mercado de commodities desfavorável.
Entendo pouco de política, mas os anos me fizeram entender um pouco essa ânsia premonitória que nos possui nos últimas dias do ano.
Nada como o penúltimo dia para passar a limpo os pecados cometidos e os que deixamos de cometer no ano que está nos finalmentes.
Acho até que essa necessidade de fazer o flash back é maior do que tentar prever qualquer coisa pro ano que vem.
Inclusive porque brasileiro está escaldado de falar em crise, mesmo com a estabilização da moeda, que parecia mais sólida do que infelizmente constantamos agora.
O fantasma da inflacão voltou, o que aterroriza os economistas, mas pra mim parece filme de terror velho assistido em sessão da tarde, regado a pipoca e refrigerante.
Pouco me interessa a mensagem dos cavaleiros do apocalipse da economia, porque sempre contei mais com meu esforço do que com qualquer conjuntura favorável.
Não é desânimo nem falta de esperança.
O planejamento para um ano que se inicia é válido, disciplina é algo que funciona.
Mas prefiro pensar no tempo, embora um ano corresponda a uma volta do planeta, como uma convenção, um jeito de pensar e organizar nossos atos, prazos, metas.
Então se o tempo é uma reta contínua, prefiro pensar que ando sobre essa linha contínua indefinidamente até o último dos meus dias, sem um tic-tac irritante fazendo eco nos meus dias de vazio.
Que venham a crise, a inflação, as expectativas, as incertezas, os medos.
Tudo isso não é exclusividade de ano novo, é coisa do dia a dia.
No fim tudo não passa da aventura de consciências querendo achar seu lugar de conforto no mundo.
Mas no fundo sabendo que esse lugar é impossível de ser encontrado.
Entendo pouco de política, mas os anos me fizeram entender um pouco essa ânsia premonitória que nos possui nos últimas dias do ano.
Nada como o penúltimo dia para passar a limpo os pecados cometidos e os que deixamos de cometer no ano que está nos finalmentes.
Acho até que essa necessidade de fazer o flash back é maior do que tentar prever qualquer coisa pro ano que vem.
Inclusive porque brasileiro está escaldado de falar em crise, mesmo com a estabilização da moeda, que parecia mais sólida do que infelizmente constantamos agora.
O fantasma da inflacão voltou, o que aterroriza os economistas, mas pra mim parece filme de terror velho assistido em sessão da tarde, regado a pipoca e refrigerante.
Pouco me interessa a mensagem dos cavaleiros do apocalipse da economia, porque sempre contei mais com meu esforço do que com qualquer conjuntura favorável.
Não é desânimo nem falta de esperança.
O planejamento para um ano que se inicia é válido, disciplina é algo que funciona.
Mas prefiro pensar no tempo, embora um ano corresponda a uma volta do planeta, como uma convenção, um jeito de pensar e organizar nossos atos, prazos, metas.
Então se o tempo é uma reta contínua, prefiro pensar que ando sobre essa linha contínua indefinidamente até o último dos meus dias, sem um tic-tac irritante fazendo eco nos meus dias de vazio.
Que venham a crise, a inflação, as expectativas, as incertezas, os medos.
Tudo isso não é exclusividade de ano novo, é coisa do dia a dia.
No fim tudo não passa da aventura de consciências querendo achar seu lugar de conforto no mundo.
Mas no fundo sabendo que esse lugar é impossível de ser encontrado.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
A maioria apenas existe
Li pouco de Oscar Wilde.
Dorian Gray, presente em 10 de 10 anais da literatura clássica, foi obrigatório.
Fora este, li apenas aforismos e no momento leio "Contos de Fadas".
Não li nenhuma de suas peças.
Há quem pense que ele não é um primor de técnica de escrita, mas Wilde está longe de passar despercebido na história da literatura.
À qualidade de "Retrato de Dorian Gray" e outros escritos, some-se sua figura controversa de intelectual excêntrico e ácido, que foi preso por ser homosexual, à época considerado um crime, e você terá uma personalidade que marcou época.
Para mim, Oscar tem lugar de destaque na estante por seus aforismos de uma acidez incomum, que pode não refletir minha opinião e talvez nem a do autor, mas destila um veneno classudo de dar inveja.
Como o que intitula esse post, "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".
Acertou na mosca o Oscar.
Naquela época, de muita dificuldade para sobreviver, a frase fazia ainda mais sentido.
Mas não podemos afirmar que faça menos sentido hoje.
Pois passadas décadas, a maioria da humanidade continua lutando bravamente por condições básicas de sobrevivência.
E a tendência é a coisa piorar com o esgotamento dos recursos naturais.
Claro que o apenas existir não está restrito apenas a quem tem poucas condições financeiras.
Hoje vemos uma sociedade intrincada em outras modalidades de sobrevivência, que vão além de comer e respirar.
Sobreviver na sociedade moderna, mesmo à época de Oscar Wilde, também significa se adaptar às exigências de status e convivência com seu meio, que implica uma série de sacrifícios.
Entre eles, a abnegação de si mesmo, de seus ideais e sonhos, em função da manutenção do status, da adaptação a rótulos de um mundo frio e preconceituoso.
Estar preso às obrigações de sucesso e modismos nos restringe como seres humanos, ao impedir que experimentemos alternativas aos ditames do capitalismo, que se retroalimenta do nosso medo de exclusão.
Daí que Oscar, que embora fosse um prestigiado e reconhecido artista não escapou do preconceito dos seus pares, concluísse que viver era para poucos.
Os poucos que teimam em se afirmar como indivíduos num mundo que abate sonhos pelos calcanhares.
Dorian Gray, presente em 10 de 10 anais da literatura clássica, foi obrigatório.
Fora este, li apenas aforismos e no momento leio "Contos de Fadas".
Não li nenhuma de suas peças.
Há quem pense que ele não é um primor de técnica de escrita, mas Wilde está longe de passar despercebido na história da literatura.
À qualidade de "Retrato de Dorian Gray" e outros escritos, some-se sua figura controversa de intelectual excêntrico e ácido, que foi preso por ser homosexual, à época considerado um crime, e você terá uma personalidade que marcou época.
Para mim, Oscar tem lugar de destaque na estante por seus aforismos de uma acidez incomum, que pode não refletir minha opinião e talvez nem a do autor, mas destila um veneno classudo de dar inveja.
Como o que intitula esse post, "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe".
Acertou na mosca o Oscar.
Naquela época, de muita dificuldade para sobreviver, a frase fazia ainda mais sentido.
Mas não podemos afirmar que faça menos sentido hoje.
Pois passadas décadas, a maioria da humanidade continua lutando bravamente por condições básicas de sobrevivência.
E a tendência é a coisa piorar com o esgotamento dos recursos naturais.
Claro que o apenas existir não está restrito apenas a quem tem poucas condições financeiras.
Hoje vemos uma sociedade intrincada em outras modalidades de sobrevivência, que vão além de comer e respirar.
Sobreviver na sociedade moderna, mesmo à época de Oscar Wilde, também significa se adaptar às exigências de status e convivência com seu meio, que implica uma série de sacrifícios.
Entre eles, a abnegação de si mesmo, de seus ideais e sonhos, em função da manutenção do status, da adaptação a rótulos de um mundo frio e preconceituoso.
Estar preso às obrigações de sucesso e modismos nos restringe como seres humanos, ao impedir que experimentemos alternativas aos ditames do capitalismo, que se retroalimenta do nosso medo de exclusão.
Daí que Oscar, que embora fosse um prestigiado e reconhecido artista não escapou do preconceito dos seus pares, concluísse que viver era para poucos.
Os poucos que teimam em se afirmar como indivíduos num mundo que abate sonhos pelos calcanhares.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
Até o fechar dos olhos
Sem a luz eu não seria nada.
Eu dependo do clarão que invade as frestas da janela pra acordar da minha ilusão.
Todo dia sou puxado da minha cama a uma velocidade de 300.000 km/s.
Não para colocar os pés no chão, mas para saltar no vácuo dos meus desejos.
A luz me liberta dos meus fantasmas, essas âncoras imaginárias que me prendem na minha impotência.
Se existe uma caminhada pra alguma missão misteriosa, é a luz que desenha as sombras dos meus passos e me faz acreditar que existe um caminho.
Dizem que são as crianças que têm medo do escuro.
Mas elas temem o escuro concreto.
O escuro imaginário vai nos amendontrar até o fim dos nossos dias.
E que seja assim, pois é nessa alternância de luz-escuridão que a vida se move e o ser humano encontra motivação para fazer da vida uma tentativa de superação sem fim.
E até o fechar dos olhos, eu espero que uma nesga de luz sempre venha ao meu socorro, para clarear minha mente e acender meu coração como meu remédio diário.
Como Dylan Thomas esbraveja, lute, lute, lute contra a morte da luz.
Eu dependo do clarão que invade as frestas da janela pra acordar da minha ilusão.
Todo dia sou puxado da minha cama a uma velocidade de 300.000 km/s.
Não para colocar os pés no chão, mas para saltar no vácuo dos meus desejos.
A luz me liberta dos meus fantasmas, essas âncoras imaginárias que me prendem na minha impotência.
Se existe uma caminhada pra alguma missão misteriosa, é a luz que desenha as sombras dos meus passos e me faz acreditar que existe um caminho.
Dizem que são as crianças que têm medo do escuro.
Mas elas temem o escuro concreto.
O escuro imaginário vai nos amendontrar até o fim dos nossos dias.
E que seja assim, pois é nessa alternância de luz-escuridão que a vida se move e o ser humano encontra motivação para fazer da vida uma tentativa de superação sem fim.
E até o fechar dos olhos, eu espero que uma nesga de luz sempre venha ao meu socorro, para clarear minha mente e acender meu coração como meu remédio diário.
Como Dylan Thomas esbraveja, lute, lute, lute contra a morte da luz.
domingo, 13 de dezembro de 2015
A pena de quem escreve
Esses dias estava discutindo a diferença entre a vaidade de médicos, publicitários, advogados e artistas.
Estávamos conjecturando sobre se os artistas seriam os mais vaidosos.
Chegamos à conclusão de que, de uma certa forma, sim.
Porque profissionais liberais têm sua fama reconhecida dentro de seus grupos.
Fora de seus grupos, apenas quando financeiramente bem sucedidos, daí não estamos mais falando de pura competência profissional.
Mas no caso dos artistas, raramente eles são financeiramente recompensados.
No entanto, sua competência artística não reconhece fronteiras, eles desfilam seu talento e são reverenciados onde estiverem.
Afinal, a música, a escrita, a pintura, etc são universais, não?
Então uma certa empáfia dos artistas, de se considerarem especiais de alguma forma, é até perdoável.
Em muitos casos eles abraçaram uma paixão em tenra idade e desafiaram o modus operandi da sociedade ao optar por viver em sua maioria de bicos para se dedicar à sua arte.
Há que se louvar esse gesto, mas será mesmo que foi uma decisão dura e difícil?
Ao que parece e Rilke não me há de negar, os artistas o são porque simplesmente receberam um chamado especial e resolveram dar ouvidos.
Alguma chama interior latente só estava à espera de uma fagulha do destino, e traçar sua vida a partir desse encontro, apesar de muito doloroso, foi uma trajetória natural.
Não há escritor ou músico que não reclame pela sociedade ser tão insensível aos seus encantos, em detrimento de lixo cultural que "bomba" nas rádios e nas muitas telas da era da hiperconectividade.
Mas também não se vê lamentos de "deveria ter ouvido meu pai" ou coisa parecida.
A opção pela vida de artista is not an option.
É só o fluxo natural da vida.
Nenhum artista chegou aos seus 17 imberbes anos numa prova de vestibular sem uma opcão de carreira bem definida.
A dúvida é apenas pelo meio de subsistência, porque a carreira o talento já definiu para ele.
Por isso não tenho nenhuma pena dos artistas.
E tenho uma certa antipatia pela sua empáfia.
Será inveja?
Estávamos conjecturando sobre se os artistas seriam os mais vaidosos.
Chegamos à conclusão de que, de uma certa forma, sim.
Porque profissionais liberais têm sua fama reconhecida dentro de seus grupos.
Fora de seus grupos, apenas quando financeiramente bem sucedidos, daí não estamos mais falando de pura competência profissional.
Mas no caso dos artistas, raramente eles são financeiramente recompensados.
No entanto, sua competência artística não reconhece fronteiras, eles desfilam seu talento e são reverenciados onde estiverem.
Afinal, a música, a escrita, a pintura, etc são universais, não?
Então uma certa empáfia dos artistas, de se considerarem especiais de alguma forma, é até perdoável.
Em muitos casos eles abraçaram uma paixão em tenra idade e desafiaram o modus operandi da sociedade ao optar por viver em sua maioria de bicos para se dedicar à sua arte.
Há que se louvar esse gesto, mas será mesmo que foi uma decisão dura e difícil?
Ao que parece e Rilke não me há de negar, os artistas o são porque simplesmente receberam um chamado especial e resolveram dar ouvidos.
Alguma chama interior latente só estava à espera de uma fagulha do destino, e traçar sua vida a partir desse encontro, apesar de muito doloroso, foi uma trajetória natural.
Não há escritor ou músico que não reclame pela sociedade ser tão insensível aos seus encantos, em detrimento de lixo cultural que "bomba" nas rádios e nas muitas telas da era da hiperconectividade.
Mas também não se vê lamentos de "deveria ter ouvido meu pai" ou coisa parecida.
A opção pela vida de artista is not an option.
É só o fluxo natural da vida.
Nenhum artista chegou aos seus 17 imberbes anos numa prova de vestibular sem uma opcão de carreira bem definida.
A dúvida é apenas pelo meio de subsistência, porque a carreira o talento já definiu para ele.
Por isso não tenho nenhuma pena dos artistas.
E tenho uma certa antipatia pela sua empáfia.
Será inveja?
Via Láctea, câmbio
Alguns podem se orgulhar de serem pessoas encaixadas, as que atendem às expectativas da sociedade, dos modelos de beleza, de sucesso, de modismos, indivíduos icônicos do ajuste social.
A não ser dormir tranquilamente na sua ilusão de bem-aventurança, não vejo nenhum mérito nisso.
Encontrar eco para sua voz é importante, faz bem para o ego, mas não é necessário.
O homem é um sobrevivente, e sua subsistência passa ao largo das armadilhas do ego, ainda que seja o tempo todo seduzido por elas.
A gente não vive da embalagem, mas do conteúdo.
Mesma nossa carcaça psicológica depende apenas da alimentação básica, prescinde da gordura trans social que nos empanturra.
Mas é mais fácil se deixar levar pela onda do que remar contra.
Por isso não contestamos os modelos impostos.
Os produtos de consumo impostos.
As novas regras sociais impostas.
Deveríamos olhar para nós mesmos e, com olhar sábio, perceber se estamos conduzindo nossas vidas para a bem-aventurança.
Aventura, disso é feita a vida.
As raízes são importantes, assim como os projetos que se desenvolvem tijolo a tijolo.
Mas faço aqui uma ode ao inexato, ao inesperado, ao inconclusivo.
Valorizo a importância de incerteza para que os caminhos sejam errados e os dias terminem mágicos.
Não ter certeza é um direito daqueles que preferem olhar o horizonte sem a convicção do planeta redondo, mas com a probabilidade de se atirar no precipício.
Conclamo mais friozinhos na barriga, mais nervosos de ante-sala de espera, mais pavor de primeira ou de última vez.
Pior não é o cordão umbilical que nos une aos nossos pais.
São as correntes das certezas que arrastamos ao longo da vida e que vão ficando pesadas com o acúmulo de limo dos caminhos.
A não ser dormir tranquilamente na sua ilusão de bem-aventurança, não vejo nenhum mérito nisso.
Encontrar eco para sua voz é importante, faz bem para o ego, mas não é necessário.
O homem é um sobrevivente, e sua subsistência passa ao largo das armadilhas do ego, ainda que seja o tempo todo seduzido por elas.
A gente não vive da embalagem, mas do conteúdo.
Mesma nossa carcaça psicológica depende apenas da alimentação básica, prescinde da gordura trans social que nos empanturra.
Mas é mais fácil se deixar levar pela onda do que remar contra.
Por isso não contestamos os modelos impostos.
Os produtos de consumo impostos.
As novas regras sociais impostas.
Deveríamos olhar para nós mesmos e, com olhar sábio, perceber se estamos conduzindo nossas vidas para a bem-aventurança.
Aventura, disso é feita a vida.
As raízes são importantes, assim como os projetos que se desenvolvem tijolo a tijolo.
Mas faço aqui uma ode ao inexato, ao inesperado, ao inconclusivo.
Valorizo a importância de incerteza para que os caminhos sejam errados e os dias terminem mágicos.
Não ter certeza é um direito daqueles que preferem olhar o horizonte sem a convicção do planeta redondo, mas com a probabilidade de se atirar no precipício.
Conclamo mais friozinhos na barriga, mais nervosos de ante-sala de espera, mais pavor de primeira ou de última vez.
Pior não é o cordão umbilical que nos une aos nossos pais.
São as correntes das certezas que arrastamos ao longo da vida e que vão ficando pesadas com o acúmulo de limo dos caminhos.
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