O título do post é só provocativo.
Carol é um filme pra quem gosta de cinema, feito por gente grande.
Ele fala de minorias oprimidas, no caso um relacionamento entre mulheres na década de 50, que logicamente sofre dificuldades para acontecer.
A temática é essa, o resto são os detalhes que constroem uma trama bem amarrada, onde a abordagem comedida do tema e o bom gosto tornam Carol um filme agradável de se ver.
Logicamente a história só tem graça porque se passa numa época onde o amor gay era tratado como aberração.
Não que hoje ainda não seja visto com preconceito, mas aqueles eram tempos de precursores da emancipação.
Um dos méritos do filme é não abordar o relacionamento de forma caricata.
Tudo é feito com a delicadeza que o contexto pede, onde a aproximação entre as personagens se dá de forma natural e num ritmo paulatino, porque uma das mulheres é casada e está em crise conjugal enquanto a outra tateia uma novidade.
Por fim, o filme vale a pena por Cate Blanchet.
Consagrada em Hollywood sem nunca ter sido exatamente a mulher fatal, Cate construiu uma carreira sólida com atuações consistentes.
Nesse filme, ela dá um toque de classe não só pela elegância natural, mas por imprimir na tela uma personagem forte como pode ser uma mulher dos anos 50, ainda em conflito com suas escolhas numa sociedade preconceituosa.
domingo, 12 de junho de 2016
sexta-feira, 10 de junho de 2016
A desintoxicação do cotidiano
Não é novidade que o ser humano se tornou cobaia do mundo.
Não só no caso específico de medicamentos, onde é sabido que populações pobres como as de países africanos se prestam a testes de novas drogas.
Excetuando esses casos extremos, todos nós somos meio cobaias do mercado de consumo.
Órgãos como a ANVISA pretendem fiscalizar a produção e comercialização de alimentos, "garantindo" um mínimo de qualidade até chegar em nossas mesas.
Mas sabemos o quanto é duvidosa a ação desses órgãos quanto à qualidade dos produtos no que se refere a uso de agrotóxicos, transgenia, gordura trans, conservantes e outros fatores que tornam nossos alimentos perigosos.
Sem contar que os melhores produtos da nossa terra vão direto para a mesa dos gringos.
Quando surgem soluções como os orgânicos, essas privilegiam os mais ricos, que sustentam esse nicho de mercado.
E agora chega o apelo do detox, que promete fazer uma "faxina" no seu organismo, cansado de ser penico.
O assunto abuso da saúde consumidor já é suficiente polêmico se nos atermos aos alimentos.
E abre mais um leque de discussões se incluirmos os setores de medicamentos, combustíveis, cosméticos, tudo que acaba afetando o corpo da gente.
Na verdade o que faz mal é a vida na cidade grande como um todo.
Morando em caixotes, longe do desafogo da natureza, nos empanturramos com produtos que são um prêmio de consolação pela nossa baixa qualidade de vida.
Na hipótese de serem as enfermidades a somatização de sofrimentos, não há maior produtor de doenças do que a vida urbana, fonte primária do stress.
Precisamos urgente de todo um estilo de vida detox, começando por uma seleção mais rigorosa dos nossos alimentos, passando por escolhas de profissão menos estressantes e se possível até mudando para lugares tranquilos, com acesso mais fácil a rios, matas, cachoeiras, mar.
A chegada dos alimentos detox só enfatiza o que percebemos mas não queremos ver: que a má alimentação é só uma das muitas vias da nossa intoxicação.
Ou você também acha que a internet só deixou a sua vida mais legal?
Não só no caso específico de medicamentos, onde é sabido que populações pobres como as de países africanos se prestam a testes de novas drogas.
Excetuando esses casos extremos, todos nós somos meio cobaias do mercado de consumo.
Órgãos como a ANVISA pretendem fiscalizar a produção e comercialização de alimentos, "garantindo" um mínimo de qualidade até chegar em nossas mesas.
Mas sabemos o quanto é duvidosa a ação desses órgãos quanto à qualidade dos produtos no que se refere a uso de agrotóxicos, transgenia, gordura trans, conservantes e outros fatores que tornam nossos alimentos perigosos.
Sem contar que os melhores produtos da nossa terra vão direto para a mesa dos gringos.
Quando surgem soluções como os orgânicos, essas privilegiam os mais ricos, que sustentam esse nicho de mercado.
E agora chega o apelo do detox, que promete fazer uma "faxina" no seu organismo, cansado de ser penico.
O assunto abuso da saúde consumidor já é suficiente polêmico se nos atermos aos alimentos.
E abre mais um leque de discussões se incluirmos os setores de medicamentos, combustíveis, cosméticos, tudo que acaba afetando o corpo da gente.
Na verdade o que faz mal é a vida na cidade grande como um todo.
Morando em caixotes, longe do desafogo da natureza, nos empanturramos com produtos que são um prêmio de consolação pela nossa baixa qualidade de vida.
Na hipótese de serem as enfermidades a somatização de sofrimentos, não há maior produtor de doenças do que a vida urbana, fonte primária do stress.
Precisamos urgente de todo um estilo de vida detox, começando por uma seleção mais rigorosa dos nossos alimentos, passando por escolhas de profissão menos estressantes e se possível até mudando para lugares tranquilos, com acesso mais fácil a rios, matas, cachoeiras, mar.
A chegada dos alimentos detox só enfatiza o que percebemos mas não queremos ver: que a má alimentação é só uma das muitas vias da nossa intoxicação.
Ou você também acha que a internet só deixou a sua vida mais legal?
quinta-feira, 9 de junho de 2016
A narrativa do banal
Todo contador de histórias ou pretendente a um sabe como é difícil tirar algo interessante do cotidiano comum.
Se você não parte de algo como um gorila gigante trazido pra civilização ou o naufrágio de um transatlântico, é sempre mais complicado contar uma história.
Ou não, como no caso do filme Brooklin.
Mesmo assim, Brooklin só salta da tela porque é um exemplo de conjunção de fatores que no final dão caldo, como bom roteiro, ótima atriz, direção impecável.
A trama em si é banal, a história de uma garota de uma pequena cidade irlandesa que parte para Nova Iorque em busca de melhores oportunidades.
Ela, que nunca tinha saído de sua provinciana cidade, encontra as dificuldades de adaptação de qualquer um que chega a um grande centro sem o suporte de parentes e amigos.
O tipo de história comum com que tanta gente se identifica e que ao mesmo tempo corre um alto risco de passar em branco.
Mas não foi o caso de Brooklin, cuja protaganista, a competente e indicado ao Oscar Saoirse Ronan, tomou as rédeas da narrativa com uma performance contida e convincente.
O filme tem sim alguns momentos mornos, não há grandes reviravoltas e um certo ranço de filme "sessão da tarde" ameaça se instalar na tela.
Aí temos que lembrar que a temática do filme, o conflito de uma expatriada entre abraçar o novo e voltar ao conhecido, foca mais na exploração dos pequenos conflitos humanos.
Só de não cair no dramalhão, já é um mérito e diz muita coisa sobre o talento do diretor e equipe.
Em especial, o desempenho da protagonista.
Se você não parte de algo como um gorila gigante trazido pra civilização ou o naufrágio de um transatlântico, é sempre mais complicado contar uma história.
Ou não, como no caso do filme Brooklin.
Mesmo assim, Brooklin só salta da tela porque é um exemplo de conjunção de fatores que no final dão caldo, como bom roteiro, ótima atriz, direção impecável.
A trama em si é banal, a história de uma garota de uma pequena cidade irlandesa que parte para Nova Iorque em busca de melhores oportunidades.
Ela, que nunca tinha saído de sua provinciana cidade, encontra as dificuldades de adaptação de qualquer um que chega a um grande centro sem o suporte de parentes e amigos.
O tipo de história comum com que tanta gente se identifica e que ao mesmo tempo corre um alto risco de passar em branco.
Mas não foi o caso de Brooklin, cuja protaganista, a competente e indicado ao Oscar Saoirse Ronan, tomou as rédeas da narrativa com uma performance contida e convincente.
O filme tem sim alguns momentos mornos, não há grandes reviravoltas e um certo ranço de filme "sessão da tarde" ameaça se instalar na tela.
Aí temos que lembrar que a temática do filme, o conflito de uma expatriada entre abraçar o novo e voltar ao conhecido, foca mais na exploração dos pequenos conflitos humanos.
Só de não cair no dramalhão, já é um mérito e diz muita coisa sobre o talento do diretor e equipe.
Em especial, o desempenho da protagonista.
A matéria dos sonhos
Desculpe se não vou acompanhar seu raciocínio de manual, baseado no que você lê nos jornais ou assiste nos documentários.
Desculpe se não compartilho de opiniões inflexíveis.
Desculpe, sou um sonhador.
Em vez de enxergar o mundo, eu prefiro sentí-lo.
Eu sei que ele é maior do que posso tocar, ver ou escutar.
Eu sei que o planeta que habito é o mundo que levo dentro de mim, que não se move por rotações e translações.
É um mundo que luto para descobrir todo dia de que é feito.
Porque ele é refeito o tempo todo.
E sabendo disso, não meço esforços para acrescentar novos ingredientes para mantê-lo vivo e renovado.
O meu mundo é habitado por literatura, cinema, arte, paixões, amor.
Por vozes dissonantes.
Por conexões entre elementos aparentemente desconexos.
Por pessoas de todas as espécies, desde que elas entendam que aqui não há regras do jeito certo de viver.
No meu mundo não há coeficientes de desenvolvimento.
Não não metas para bater, a não ser a da realização.
Que pode se dar com uma simples descoberta sobre vida, com o sorriso de uma criança e, por que não, até com um dinheirinho inesperado que entra.
No mundo aqui dentro, o que vale é o livre pensamento e expressão.
É o se saber pequeno diante desse mundão de possibilidades.
Mas que não se deixa apequenar como tudo que é feito de sonhos.
Desculpe se não compartilho de opiniões inflexíveis.
Desculpe, sou um sonhador.
Em vez de enxergar o mundo, eu prefiro sentí-lo.
Eu sei que ele é maior do que posso tocar, ver ou escutar.
Eu sei que o planeta que habito é o mundo que levo dentro de mim, que não se move por rotações e translações.
É um mundo que luto para descobrir todo dia de que é feito.
Porque ele é refeito o tempo todo.
E sabendo disso, não meço esforços para acrescentar novos ingredientes para mantê-lo vivo e renovado.
O meu mundo é habitado por literatura, cinema, arte, paixões, amor.
Por vozes dissonantes.
Por conexões entre elementos aparentemente desconexos.
Por pessoas de todas as espécies, desde que elas entendam que aqui não há regras do jeito certo de viver.
No meu mundo não há coeficientes de desenvolvimento.
Não não metas para bater, a não ser a da realização.
Que pode se dar com uma simples descoberta sobre vida, com o sorriso de uma criança e, por que não, até com um dinheirinho inesperado que entra.
No mundo aqui dentro, o que vale é o livre pensamento e expressão.
É o se saber pequeno diante desse mundão de possibilidades.
Mas que não se deixa apequenar como tudo que é feito de sonhos.
Bravura
Os estudiosos dizem que as estórias nos seduzem porque contém o mito humano da jornada do herói.
A carga arquetípica de que todos precisamos para enfrentar as dificuldades em busca de nossas conquistas.
Embora uns sejam mais atirados que outros, todo mundo gosta de se ver corajoso, ousado, merecedor de um lugar especial no mundo, o famoso lugar ao sol.
Mas será que existe lugar ao sol para todo mundo?
Depende de nos fazermos uma pergunta simples: até aonde queremos chegar?
Ou melhor, será que precisamos mesmo chegar?
Responder a essa pergunta simples, mas que é fundamental para uma correção de rota, implica em nos conhecer profundamente.
Descobrir o que nos motiva, o que está no cerne das nossas verdadeiras aspirações.
É preciso ser sincero consigo mesmo, senão pode-se pagar o preço da omissão ou mesmo o de passar a vida correndo atrás do próprio rabo.
Se você não corre atrás do que quer ou corre atrás do que não quer, no final dá na mesma.
Falando assim, em "correr atrás", faz parecer que tudo depende de um grande sacrifício, que vai nos deixar de língua de fora.
Quase sempre, vai mesmo.
Não há notícia de um grande escritor que só escrevia quando dava na telha ou de um investidor riquíssimo que não acompanhava de perto o mercado financeiro.
Mas o gosto pela coisa costumar cortar caminhos.
Porque se você se identifica com o que faz, isso deixa de ser obrigação para também ser prazeroso.
Claro que tudo tem seus dissabores e dias ruins.
Mas aí entra a coragem de que falo nesse post.
A persistência de continuar apesar do tempo adverso.
A vontade de suplantar montanhas de obstáculos para ver o que há do outro lado.
No fundo sabemos que todos nós temos uma reserva de vontade escondida aqui dentro, a qual apelamos quando ninguém acredita mais em nós, até nós mesmos.
A dose de bravura.
Os dentes cerrados que gostamos de exibir para aqueles que duvidam.
Ah, vocês vão ver só!!!
A carga arquetípica de que todos precisamos para enfrentar as dificuldades em busca de nossas conquistas.
Embora uns sejam mais atirados que outros, todo mundo gosta de se ver corajoso, ousado, merecedor de um lugar especial no mundo, o famoso lugar ao sol.
Mas será que existe lugar ao sol para todo mundo?
Depende de nos fazermos uma pergunta simples: até aonde queremos chegar?
Ou melhor, será que precisamos mesmo chegar?
Responder a essa pergunta simples, mas que é fundamental para uma correção de rota, implica em nos conhecer profundamente.
Descobrir o que nos motiva, o que está no cerne das nossas verdadeiras aspirações.
É preciso ser sincero consigo mesmo, senão pode-se pagar o preço da omissão ou mesmo o de passar a vida correndo atrás do próprio rabo.
Se você não corre atrás do que quer ou corre atrás do que não quer, no final dá na mesma.
Falando assim, em "correr atrás", faz parecer que tudo depende de um grande sacrifício, que vai nos deixar de língua de fora.
Quase sempre, vai mesmo.
Não há notícia de um grande escritor que só escrevia quando dava na telha ou de um investidor riquíssimo que não acompanhava de perto o mercado financeiro.
Mas o gosto pela coisa costumar cortar caminhos.
Porque se você se identifica com o que faz, isso deixa de ser obrigação para também ser prazeroso.
Claro que tudo tem seus dissabores e dias ruins.
Mas aí entra a coragem de que falo nesse post.
A persistência de continuar apesar do tempo adverso.
A vontade de suplantar montanhas de obstáculos para ver o que há do outro lado.
No fundo sabemos que todos nós temos uma reserva de vontade escondida aqui dentro, a qual apelamos quando ninguém acredita mais em nós, até nós mesmos.
A dose de bravura.
Os dentes cerrados que gostamos de exibir para aqueles que duvidam.
Ah, vocês vão ver só!!!
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Dancing with my selfie
Num final de semana em que meu sobrinho estava em São Paulo estavamos à caça de um programa para os pequenos quando minha prima se lembrou de uma exposição que poderia agradar tanto a adultos quanto crianças.
Era a exposição de Ron Mueck, um criador de esculturas hiper-realistas que se tornara pop e estava atraindo multidões por onde passava.
Mas tinha um porém: era final de semana.
E um agravante: o último dia da exposição.
Pensei ôu-ôu, isso não vai dar certo e fui logo avisando que por mim nem tentaria ir.
Mas fui voto vencido e lá fomos nós. Não precisamos chegar à porta da Pinacoteca para avistar uma fila quilométrica a umas 5 quadras da entrada, que confirmava minha previsão de que seria impossível entrar.
Tudo isso foi só pra dizer o quanto eventos culturais assim se tornaram frequentes, atraindo um público não necessariamente interessado no talento de um Ron Mueck.
Você percebe que boa parte daquele gente que sofreu horrores naquela fila está lá pelo oba-oba, para garantir seu post do dia com uma selfie num programa "in".
Fica claro que a curadoria busca isso, interessada em cobrir os custos de exposição e ainda tirar uma boa margem de lucro.
Os organizadores estão errados? Claro que não.
É o mesmo apelo que já trouxe para cá exposições como de Leonardo Da Vinci, Kubrick e mais recentemente, Tim Burton.
Um pé no popular e o outro, quando possível, no erudito.
Mas será que ao atrair esse público mainstream para um espaço de interesse de nicho, estamos de fato formando novos consumidores de arte?
Note bem que não disse apreciadores, porque só consigo enxergar como consumidores pessoas que vão passar ali para bater ponto, tirar a selfizinha e sair, cometendo a contradição de permanecer uns 20 minutos num evento pelo qual esperaram até 4 horas para entrar.
Não acredito que isso forme gente interessada em arte de verdade.
Talvez uma minoria se salve.
E afirmo isso baseado em outro fenômeno cultural que parece ter tentado a mesma coisa, mas sucumbiu.
Refiro-me ao mercado editorial, onde a proliferação de histórias de magia à la Harry Potter e Game of Thrones não trouxe mais leitores para a alta literatura.
É como acreditar que os que compram canecas do Romero Britto também comprariam outras com as pinturas negras de Goya.
Por que você acha que o Britto, que não é nem um pouco bobo, escolhe temas como gatinhos, coraçõezinhos e borboletas para pintar?
Era a exposição de Ron Mueck, um criador de esculturas hiper-realistas que se tornara pop e estava atraindo multidões por onde passava.
Mas tinha um porém: era final de semana.
E um agravante: o último dia da exposição.
Pensei ôu-ôu, isso não vai dar certo e fui logo avisando que por mim nem tentaria ir.
Mas fui voto vencido e lá fomos nós. Não precisamos chegar à porta da Pinacoteca para avistar uma fila quilométrica a umas 5 quadras da entrada, que confirmava minha previsão de que seria impossível entrar.
Tudo isso foi só pra dizer o quanto eventos culturais assim se tornaram frequentes, atraindo um público não necessariamente interessado no talento de um Ron Mueck.
Você percebe que boa parte daquele gente que sofreu horrores naquela fila está lá pelo oba-oba, para garantir seu post do dia com uma selfie num programa "in".
Fica claro que a curadoria busca isso, interessada em cobrir os custos de exposição e ainda tirar uma boa margem de lucro.
Os organizadores estão errados? Claro que não.
É o mesmo apelo que já trouxe para cá exposições como de Leonardo Da Vinci, Kubrick e mais recentemente, Tim Burton.
Um pé no popular e o outro, quando possível, no erudito.
Mas será que ao atrair esse público mainstream para um espaço de interesse de nicho, estamos de fato formando novos consumidores de arte?
Note bem que não disse apreciadores, porque só consigo enxergar como consumidores pessoas que vão passar ali para bater ponto, tirar a selfizinha e sair, cometendo a contradição de permanecer uns 20 minutos num evento pelo qual esperaram até 4 horas para entrar.
Não acredito que isso forme gente interessada em arte de verdade.
Talvez uma minoria se salve.
E afirmo isso baseado em outro fenômeno cultural que parece ter tentado a mesma coisa, mas sucumbiu.
Refiro-me ao mercado editorial, onde a proliferação de histórias de magia à la Harry Potter e Game of Thrones não trouxe mais leitores para a alta literatura.
É como acreditar que os que compram canecas do Romero Britto também comprariam outras com as pinturas negras de Goya.
Por que você acha que o Britto, que não é nem um pouco bobo, escolhe temas como gatinhos, coraçõezinhos e borboletas para pintar?
terça-feira, 7 de junho de 2016
A mulher fatal
Vou relatar esse caso para elucidar como às vezes um rótulo é injusto.
Judith era uma mulher linda, absolutamente sedutora, um furor sexual em forma de gente.
Claro que ela sabia usar seus predicados a seu favor, como o faria qualquer mulher que tivesse dotes similares.
Mas no caso de Judith, ela o fazia como consolo por não conseguir preencher a grande lacuna de sua vida: um relacionamento.
Porque o contato amoroso com essa mulher continha um poder inexplicável pela ciência, que a tornava uma mulher literalmente fatal.
Judith sabia de seu poder maléfico involuntário, assim como seus parceiros também eram cientes, mas não abdicava de um flerte pela esperança de encontrar um amor imune ao seu coração.
Mas invariavelmente ela levava seus parceiros a óbito, de causa mortis que ia de um simples beijo ao sexo nas mais variadas formas.
Só que por isso não era incriminada, porque por mais urgente que o sexo casual possa ser, ela sempre assegurava sua inocência através de um documento assinado pelo parceiro, consentindo com a possibilidade de uma noite de amor mortífero.
Ora, alguns podem acusá-la pela sua frieza, quando ela se preocupava com minúcias de auto-proteção em meio ao fogo ardente da paixão.
Mas qual autoridade seria insensível a ponto de negar a uma mulher, ainda mais desse porte, o direito a encontrar, depois de tantas mortes, o amor de sua vida?
Por isso, qual não foi a surpresa de todos quando Olivo, um rapaz com aparência esquálida, que se imaginaria sendo partido ao meio pela voracidade do mulherão, fosse o primeiro a sair ileso daquela noite épica.
É que preferindo as práticas sodomitas sob a penumbra, Judith não percebeu que fora penetrada por um eloquente cinturão de borracha preta, manobrado por aquele projeto de macho que também atendia por Lucila.
Judith, que até então se enquadrava na classe de moças educadas para serem mães, viu um universo inteiro se abrir quando amanheceu aninhada com Lucila, com aquele ar sexy de garotinho marrento.
E tão represado estava seu coração por tantos anos de decepção amorosa que Judith não se rogou em adotar a poligamia como prática urgente, atraindo para sua cama 3,4 até 5 meninas ao mesmo tempo.
Sem claro, abdicar de seu primeiro e único amor.
Mais uma grande mulher que perdemos para elas.
Judith era uma mulher linda, absolutamente sedutora, um furor sexual em forma de gente.
Claro que ela sabia usar seus predicados a seu favor, como o faria qualquer mulher que tivesse dotes similares.
Mas no caso de Judith, ela o fazia como consolo por não conseguir preencher a grande lacuna de sua vida: um relacionamento.
Porque o contato amoroso com essa mulher continha um poder inexplicável pela ciência, que a tornava uma mulher literalmente fatal.
Judith sabia de seu poder maléfico involuntário, assim como seus parceiros também eram cientes, mas não abdicava de um flerte pela esperança de encontrar um amor imune ao seu coração.
Mas invariavelmente ela levava seus parceiros a óbito, de causa mortis que ia de um simples beijo ao sexo nas mais variadas formas.
Só que por isso não era incriminada, porque por mais urgente que o sexo casual possa ser, ela sempre assegurava sua inocência através de um documento assinado pelo parceiro, consentindo com a possibilidade de uma noite de amor mortífero.
Ora, alguns podem acusá-la pela sua frieza, quando ela se preocupava com minúcias de auto-proteção em meio ao fogo ardente da paixão.
Mas qual autoridade seria insensível a ponto de negar a uma mulher, ainda mais desse porte, o direito a encontrar, depois de tantas mortes, o amor de sua vida?
Por isso, qual não foi a surpresa de todos quando Olivo, um rapaz com aparência esquálida, que se imaginaria sendo partido ao meio pela voracidade do mulherão, fosse o primeiro a sair ileso daquela noite épica.
É que preferindo as práticas sodomitas sob a penumbra, Judith não percebeu que fora penetrada por um eloquente cinturão de borracha preta, manobrado por aquele projeto de macho que também atendia por Lucila.
Judith, que até então se enquadrava na classe de moças educadas para serem mães, viu um universo inteiro se abrir quando amanheceu aninhada com Lucila, com aquele ar sexy de garotinho marrento.
E tão represado estava seu coração por tantos anos de decepção amorosa que Judith não se rogou em adotar a poligamia como prática urgente, atraindo para sua cama 3,4 até 5 meninas ao mesmo tempo.
Sem claro, abdicar de seu primeiro e único amor.
Mais uma grande mulher que perdemos para elas.
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